terça-feira, julho 03, 2018

Folclore - Bumba-meu-boi e a mulher do vaqueiro

Apresentação de Bumba-Meu-Boi em Parnaíba (Índias: Foto: Walter Fontenele)

Falando de folclore, a brincadeira do Bumba-Meu-Boi surgiu nas fazendas de gado existentes no Piauí. Os figurantes que compõem a apresentação do auto “Morte do Boi” representam pessoas e assombrações que existiram em torno da criação de gado no Piauí, no tempo da luta para a implantação das fazendas na então Villa de Nossa Senhora do Monserrate da Parnahiba.

Essa brincadeira popular passou a existir após a chegada na Villa, dos escravos trazidos de muitos lugares para trabalharem na lavoura e fazendas de gado. 
Foto: Walter Fontenele
Os descendentes da miscigenação desses negros (dançantes por tradição) com vaqueiros e caboclos reais (índios que lutaram a serviço da coroa portuguesa na implantação das fazendas) , criaram essa manifestação folclórica baseada na história oral dos seus antepassados.

Os figurantes principais do auto são : O Fazendeiro, o Pai Francisco (capataz da Fazenda), o Curandeiro, a catrevage (assombrações influenciadas pelos negros) , o Capitão-Mor, o sargento-mor e o batalhão militar formado por vaqueiros e caboclos reais, principais personagens da luta entre fazendeiros e tapuias do norte do Piauí, Maranhão e Ceará.
Foto: Walter Fontenele
O Bumba-Meu-Boi adaptou-se ao tempo atual com uma roupagem rica em enfeites, mas, mantém a tradição na batida dos seus tambores, no ronco do boi e na dança requebrante dos seus participantes.

Essa manifestação do folclore piauiense, tem outras afirmativas a respeito do seu surgimento, mas, aqui no nordeste, a que mais se apresenta verdadeira, é a que está em tela, visto que ela era uma brincadeira noturna ao pé de fogueiras que iluminavam o ambiente, onde, se dançava e cantava a história em torno da morte de um boi numa fazenda.

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Sabe-se que por volta de 1839, a dança do Bumba-Meu-Boi foi levada para outros estados nordestinos, por caboclos e negros integrantes da Balaiada, após a luta em Contendas (Cocal) , onde aqueles revoltosos foram derrotados e banidos do Piauí.

Posteriormente, chegou a região norte através de seus descentes que migraram para a Amazônia na época de ouro da extração da borracha, onde, atualmente, existe a expressão maior dessa manifestação folclórica na cidade de Parintins, através da acentuada disputa entre os grupos dos bois Garantido e Garantido.

O Piauí ainda é uma terra que mantém a tradição econômica da criação de gado solto, e nessa atividade a peça mais importante na lida diária no seu trato, é o vaqueiro.

Dentro desse contexto, hoje, após encerrar-se o mês de junho, lembrei-me de um texto por mim escrito para um grupo de alunos da Escola Normal Francisco Correia, que se apresentou em concurso de festas juninas no ano de 2013, onde, se homenageou a mulher através da dança da mulher vaqueira, com a seguinte letra da música:

Cunhãs de vaqueiros

Somos cunhãs de vaqueiros
Das fazendas do sertão
Daqueles que tocam o gado
Montados em alazão.

Vaqueiro corre no campo
Atrás de garrote veleiro
Prende o bicho e ferra
Em marras no umbuzeiro.

Vai vaqueiro e faz
O teu trabalho e vem
Prende o gado e volta
Para os braço do teu bem.

Somos cunhãs de vaqueiros
Das fazendas do sertão
Daqueles que tocam o gado
Montados em alazão
Fazendo da luta no campo
Sua vida, sua razão.

Vicente de Paula Araújo Silva – “Potência” | Edição: Jornal da Parnaíba
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