quarta-feira, abril 24, 2019

Chagas Rodrigues, um legítimo parnaibano na forma de agir e de pensar

A política não é o local apropriado para quem quer enriquecer. Quem deseja ficar rico deve montar uma indústria ou mesmo um comércio. A política é o local apropriado para se servir aos semelhantes”. (Francisco das Chagas Caldas Rodrigues).
Francisco das Chagas Caldas Rodrigues, (Parnaíba, 8 de novembro de 1922 — Brasília, 7 de fevereiro de 2009) foi um advogado e político brasileiro. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, foi eleito governador do Piauí em 1958 e em 1969 teve seus direitos políticos cassados pelo Regime Militar de 1964. Anos após o término de sua punição foi eleito senador em 1986, afastando-se da vida pública ao final de seu mandato.

Biografia:
Filho de Poncion de Queiroz Rodrigues e Ignésia de Caldas Rodrigues, bacharelou-se em Direito pela Universidade de São Paulo e era oficial da reserva do Exército Brasileiro (posto de 2º tenente). Advogado, foi assessor jurídico do Ministério da Fazenda em 1947 e professor do Centro Universitário de Brasília após a cassação de seus direitos políticos. Ainda no Distrito Federal foi assessor do governo José Aparecido de Oliveira.

Governador:
Eleito deputado federal pela UDN em 1950 migrou para o PTB sendo reeleito em 1954 e em 1958, todavia um fato excepcional o impediu de assumir seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados: no dia 4 de setembro de 1958 um acidente automobilístico num povoado próximo a Teresina vitimou Demerval Lobão e Marcos Parente naquela que ficou conhecida como a tragédia da Cruz do Cassaco. Os mortos eram, respectivamente, candidatos a governador e a senador do Piauí nas vindouras eleições de 1958 que em face do ocorrido tiveram que ser substituídos, nessa ordem, por Chagas Rodrigues (PTB) e Joaquim Parente (UDN), este último irmão do falecido Marcos Parente. Apesar da comoção e das adversidades típicas de situações desse calibre ambos foram vitoriosos, sendo que graças a legislação vigente à época o candidato Chagas Rodrigues foi eleito tanto para governador quanto para deputado federal optando pela primeira condição, fato que permitiu a efetivação do primeiro suplente Heitor de Albuquerque Cavalcanti.

Cassação:
Atento ao calendário eleitoral renunciou ao governo do estado em 1962 e empreendeu uma dupla candidatura sendo derrotado na eleição para senador e eleito para o seu terceiro mandato de deputado federal chegando a presidir a convenção nacional do PTB em 1965, contudo a extinção dos partidos políticos determinada pelos militares o fez ingressar no MDB, sendo reeleito em 1966 chegando ao posto de primeiro vice-líder da bancada. Sua carreira política foi interrompida em 29 de abril de 1969 por força do AI-5 e seus direitos políticos foram suspensos por dez anos, o que acabaria por deixar a oposição no estado do Piauí sob o comando de próceres como Severo Eulálio e João Mendes Olímpio de Melo, seu substituto na Câmara dos Deputados. Ante sua "inatividade compulsória" lecionou no Centro Universitário de Brasília. Decretada a anistia em agosto de 1979, retornou à atividade política e ensaiou reestruturar o PTB, porém ingressou no PMDB com vistas ao pleito de 1982.

Senador:
Em 1982 foi candidato a senador pelo Piauí e embora tenha recebido quase 80 mil votos a mais que João Lobo (PDS) não foi eleito em razão da legislação vigente, que considerava a soma do total de candidatos de cada partido (sublegendas) e não apenas a votação individual dos mesmos. Retornou então ao Distrito Federal e prestou assessoria ao governo daquela unidade federativa a partir de 1985 num esforço que resultou na criação da Secretaria do Trabalho. Mais uma vez candidato a senador em 1986 foi eleito e em 1988 foi um dos fundadores do PSDB e disputou a reeleição em 1994 sem que se sagrasse vencedor.

Após política:
Desde o fim de seu mandato passou a residir em Brasília e em 2007 foi o primeiro piauiense a receber uma indenização por conta das perseguições sofridas durante o período do regime militar no Brasil conforme a Comissão de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Com a saúde abalada em razão de um acidente vascular cerebral e apresentando sintomas do Mal de Alzheimer, ficou viúvo em 12 de novembro de 2006 após o falecimento de sua esposa, D. Maria do Carmo Correia de Caldas Rodrigues. Dr. Chagas Rodrigues faleceu em Brasília vítima de falência múltipla dos órgãos, no dia 7 de fevereiro de 2009.

Jornal da Parnaíba

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