Um almoço de ano novo que terminou de forma trágica com 4 pessoas mortas na cidade de Parnaíba.
Maria de Fátima da Silva, membro da família vítima de envenenamento em
Parnaíba, litoral do Piauí, contou em entrevista exclusiva à TV Antena 10
e ao A10+ que a família esta destruída com as recentes perdas. Das 9
pessoas que foram internadas, 4 não resistiram às complicações e faleceram;
outras 4 receberam alta e apenas a criança de 4 anos segue internada em
Teresina. No ano passado a família já havia sofrido com a perda de duas
crianças que morreram após comerem cajus envenenados.
Com seis pessoas da família mortas por envenenamento, entre elas,
irmãos e sobrinhos, Maria de Fátima contou que está desolada. Na madrugada
desta terça (07), o HEDA confirmou a morte de Francisca Maria da Silva, de 32
anos. Ela é mãe das outra duas crianças que faleceram após consumirem
arroz envenenado.
"Olha eu tô destruída, não temos lágrimas para chorar, o que tinha de secar, secou, a perda é muito grande. A gente tá destruído. Minha mãe já passou mal, não está querendo comer. Vó é mãe duas vezes. Se pra mim como tia e irmã tá doendo e ela que é vó e mãe, perder dois filhos e ainda 4 netos de uma vez só.. é uma coisa que não tem como explicar. Uma família grande se despedaçou. Diante de 10 netos ficou 5, de 10 irmãos ficou 7 e daí já tira o sofrimento que a gente tá enfrentando", lamenta.
Confraternização de virada de ano que terminou em tragédia
O que iniciou com um momento fraterno em família terminou como uma
tragédia. O arroz consumido pela família no dia 31 de dezembro de 2024 para
esperar a chegada do novo ano se tornou elemento de análise por peritos da
Polícia Civil do Piauí. Isso porque o mesmo alimento preparado no 31 e
consumido novamente pelos membros da família no almoço de 1 de janeiro estava
contaminado com a substância Terbufos, um agrotóxico para matar pragas.
Maria de Fátima, afirmou em entrevista à TV Antena 10 no dia 2 de
janeiro que foi a responsável por preparar o arroz que foi consumido
pela família, em Parnaíba, mas que ninguém passou mal no momento da
confraternização.
“No dia da ceia foi muito feliz, estava os netos, os irmãos, os
parentes da gente estavam aqui. Estávamos fazendo muitas coisas boa, fazendo
planos e foi uma tragédia, todo mundo comeu e brincou, mas no outro dia foi
essa tragédia que ninguém sabe como aconteceu. O arroz foi feito em um dia e no
outro reutilizado e por isso a gente quer uma resposta logo",
relatou.
Inicialmente, suspeitava-se que os peixes doados por um casal
estivessem envenenados. No entanto, o laudo pericial descartou essa
hipótese, e o casal responsável pela doação não é mais tratado como suspeito
pela Polícia Civil. Agora a policia trabalha para identificar como a
substancia foi parar no arroz.
"Quero uma resposta"
Ela finalizou pedindo pela resolução do caso e que o autor do
envenenamento seja devidamente penalizado. “Eu queria pedir muito que desse uma
resposta logo do que foi feito. Porque essa pessoa que talvez tenha feito, que
pode estar dentro de casa, esteja entrando e saindo e a gente fica com medo”,
desabafa.
No total, nove pessoas da família foram afetadas pelo veneno. Ao
passarem mal, as vítimas foram levadas para o Hospital Estadual Dirceu
Arcoverde (Heda). O caso ocorreu no dia 1º de janeiro deste ano na cidade de
Parnaíba. A família é a mesma dos irmãos que, em 2024, morreram
envenenados após consumires cajus.
Envenenamento em Parnaíba
O primeiro óbito foi de Manoel Leandro da Silva, de 18 anos, que
morreu ainda na ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
(Samu). A segunda, Igno Davi da Silva, 1 ano e 8 meses. A filha de
Francisca, Lauane da Silva, foi a terceira vítima que não resistiu. A
quarta foi Francisca Maria da Silva, de 32 anos, cujo falecimento foi
confirmado na madrugada desta terça-feira (07) no Hospital Estadual Dirceu
Arcoverde (Heda), em Parnaíba, litoral do Piauí.
Receberam alta: Francisco de Assis Pereira da Costa, 53 anos (padrasto
de Manoel e Francisca); uma criança de de 11 anos (filho de Francisco de
Assis); uma adolescente de 17 anos (irmã de Manoel) e Maria Jocilene da Silva,
32 anos. Apenas uma criança, de 4 anos, segue internada no HUT. Não há
atualizações do quadro de saúde dela.
Por: Verônica Costa | Karine Rocha | Fonte: Portal A10+
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