sexta-feira, maio 22, 2020

China: considerações sobre uma sociedade original! (Parte – 1)

Prof. Dr. Geraldo Filho (UFDPar – 21/05/2020)

Não submeterei os leitores a uma retrospectiva da história chinesa, no entanto, vale lembrar que os chineses, como coreanos e japoneses, compartilham herança na qual se misturam genes e formas de viver (pensar, agir e sentir) de no mínimo 03 “espécies” do gênero “homo”: o erectus, o neandhertal e o sapiens. Isso, provavelmente, concedeu a estes povos orientais originalidade às vezes difícil de compreender e aceitar para outros de regiões diferentes, como os do ocidente.

Para um sociólogo profissional, que pesquisa biologia evolutiva e neurociência, as sociedades são organismos formados por populações de indivíduos que buscam diariamente maximizar as chances de sobrevivência, espalhadas pelos diversos ecossistemas do planeta. Isto significa que algumas terão mais sucesso e outras fracassarão nessa luta difícil, tudo dependerá de uma palavra mágica: adaptação.


As formas de viver com maior flexibilidade (resiliência) evolutiva construirão sociedades adaptadas às características do ambiente no qual se encontram, garantindo estabilidade a longo prazo para que esses povos possam criar a própria história. Nesta perspectiva, nada a estranhar diante de formas de vida exóticas que contrariam os padrões conhecidos por outros.

Assim, para compreender sociedades como a China se deve considerar que ela foi bem sucedida no decorrer de mais de 2 mil anos, durante os quais, e apesar dos conflitos internos, manteve a unidade e a identidade civilizatória do país sem se fragmentar, sucedendo-se dinastias imperiais cuja legitimidade era conferida pelo “Mandato Celestial”, concedido ao imperador para governar o mundo, isso mesmo o que você leu, o mundo! Povos próximos ou distantes eram naturalmente considerados bárbaros e vassalos, com os quais os chineses deveriam evitar contato, pois nada tinham a aprender com eles!

Com um pouco de imaginação o leitor perceberá que mesmo encerrando a fase imperial, em 1912, os governos que se alternaram até 1949, ano da revolução comunista – que inaugurou a estrutura de poder comandada por um partido único, em vigor até hoje – as lideranças chinesas nunca abandonaram o passado milenar, procurando reviver mediante encenação laica (secular) a sagrada estratificação hierárquica de comando da sociedade construída por séculos pelas famílias imperiais.

A imaginação controlada pelo conhecimento é ferramenta fundamental para o cientista de todas as áreas, pois o obriga a ver além da realidade aparente. Para isso ele tem de experimentar domínios diversos, como a literatura, o cinema e a música, por exemplo, que instigam a criatividade e a fantasia. Em geral a imaginação pode ser um guia para as interações sociais do cotidiano, principalmente se concebidas como dramatização teatral no palco da vida, o que ajuda a entender as intenções das pessoas por trás das atitudes tomadas, que podem prevenir erros de avaliação que comprometem destinos, do tipo quando alguém se apaixona pelo parceiro errado, por acreditar que ele era o “amor de sua vida”, etc.! Um olhar arguto e imaginativo observaria que a maior parte da teatralização fantasiosa do amor encobre uma intenção dominante elementar, o desejo por sexo!

Faz algum tempo me encontrava no bar de um grande amigo, como é comum a televisão estava ligada, transmitindo no momento competição de ginástica olímpica feminina da qual participavam atletas chinesas. Durante as provas notei que numa mesa próxima um sujeito vibrava e batia palmas para a performance das chinesas! Curioso, perguntei por que ele torcia tanto para elas e ele respondeu: porque são da China, e a China é comunista e ele era comunista! Ah, tá...! Com a resposta fiquei calado, afinal nada tinha com aquilo e qualquer um admira quem quiser mas... o episódio ficou martelando na minha mente!

Quer dizer que se eu sair por aí dizendo que

Publicação: Jornal da Parnaíba

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