quinta-feira, março 05, 2020

MP ingressa com ação contra o atual e ex-secretário estadual de Saúde

O MPPI pede devolução de R$ 90 milhões. Sesapi teria deixado de repassar aos municípios o valor relativo ao cofinanciamento desde 2016.
O Tribunal de Contas do Estado também constatou a situação de irregularidades (Foto: Wilson Nanaia / Portal AZ)
O Ministério Público do Piauí ingressou com ação de improbidade administrativa contra o atual secretário estadual de Saúde, Florentino Neto, e o ex-gestor da pasta e atual deputado estadual Francisco Costa, por problemas no cofinanciamento da Atenção Básica da Saúde. Diante disso, o MP pede a devolução de mais de 90 milhões de reais aos cofres públicos e a indisponibilidade dos bens dos dois gestores.

Segundo o MP, entre os dados recebidos há um relatório de auditoria promovida pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DENASUS). No documento consta que “a SESAPI, nos exercícios de 2016 e 2017, teria deixado de repassar aos municípios o valor de R$ 32.820.888,97, relativos ao cofinanciamento”. O relatório destaca, ainda, que, desse montante, R$ 24.496.719,35 são relativos à Atenção Básica.
MP ingressa com ação contra o atual (Florentino Neto) e ex-secretário de Saúde (Deputado Francisco Costa) e pede devolução de R$ 90 milhões (Fotos: Lucas Sousa / Portal AZ)
Os documentos demonstram que, no exercício de 2016, 72 dos 224 municípios piauienses receberam uma única parcela do cofinanciamento. No ano seguinte, a situação se manteve, com 73 municípios obtendo apenas uma parcela do repasse.

A 12ª Promotoria de Justiça expediu recomendação ao secretário estadual de Saúde, Florentino Neto, na qual orientou o gestor a providenciar a regularização do pagamento das parcelas referentes ao repasse à Atenção Básica à Saúde dos municípios, bem assim o pagamento dos valores em atraso. A Sesapi não informou ao MPPI as providências que adotaria para cumprir a recomendação da instituição.

De acordo com o MP, o Tribunal de Contas do Estado também constatou a situação de irregularidades nos repasses. Uma auditoria do órgão de fiscalização reforça que a Sesapi em 2017 repassou cerca de 15 milhões de reais aos municípios e ficou devendo mais de 31 milhões. Já em 2018, o débito com os municípios ultrapassam mais de 35 milhões reais.

O relatório da Corte de Contas concluiu da seguinte forma: "os Secretários de Saúde do Estado do Piauí […] não repassaram os valores devidos aos municípios do Piauí, referentes ao cofinanciamento da saúde, relativo aos exercícios de 2016, 2017, 2018 e 2019, totalizando R$ 90.520.058,60, apurados até 31/05/2019. Portanto, o Estado do Piauí não vem cumprindo a Lei Complementar nº 141/12; a Lei nº 8.080/90; a Lei nº 8.142/90 e o Decreto Estadual nº 15.100/12", arma um trecho do documento.

O MPPI informou ainda que realizou audiência com representantes da Sesapi para discutir a regularização do dos repasses, mas não houve um consenso. A 12ª Promotoria de Justiça voltou a emitir nova recomendação sobre o assunto e novamente a Sesapi não respondeu ao documento enviado pelo Ministério Público. "O Ministério Público pede ao Judiciário a inclusão dos nomes dos dois no Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade do Conselho Nacional de Justiça e a instituição requer a perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos e o pagamento de multa", informou. 05/03/2020.

Outro lado
O Portal AZ procurou a Sesapi para comentar o caso, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O site segue aberto para esclarecimentos.

Fonte: Mário Gomes/Portal AZ | Edição: Jornal da Parnaíba

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