terça-feira, janeiro 21, 2020

Piauiense cria arte em estamparias com tingimento natural

Manoel Severino fez 4 peças para um filme que está sendo gravado em Pernambuco com tingimento natural.
A natureza é uma fonte de inspiração para vários artistas plásticos do Brasil e do mundo, mas o piauiense Manoel Severino recorreu a ela não apenas como estímulo, mas também como suporte para suas obras de arte. Ele cria tingimento natural em roupas usando casca de folhas, flores e raízes de algumas plantas do cerrado como aroeira, murici, jatobá, açafrão da terra, entre várias outros.  Ele usa também a Insulina vegetal, planta que tem uma coloração diversificada e consegue  extrair várias tonalidades.


Severino, que é natural de Altos, apesar de já trabalhar com estamparia usando tingimento artificial, nunca havia utilizado esse tipo de material para fins de produção. "Eu comecei a trabalhar com estamparia com tintura normal depois aprendi a extrair o corante natural sozinho. Sou artesão, mas venho me dedicando a estamparia com uso natural porque crio coisa natural e que não está ainda no mercado", explica. Hoje, o artista produz camisetas, tecidos, vestidos, blusas, lenços. "Não tem essa questão de peça, trabalho com qualquer material de tecido", frisa.

O trabalho de Manoel é 100% ecológico e ele mesmo faz a coleta das plantas. Por esta razão, há alguns anos, o altoense fez surgir a ideia da extração natural. "O meu trabalho é bem alternativo, voltado para a sustentabilidade e respeito ao meio ambiente, uso os mais diferentes tipos de materiais encontrados na própria natureza, as plantas, mas uso outros elementos, como: lâminas de vidro, esponjas, maisena, sal grosso, cone de linha, linhas diversas, pentes e sucatas em geral", revela.
Artista prioriza espécies nativas
Para produzir as peças, o artista utiliza, principalmente, as plantas distribuídas na região onde vive, priorizando espécies nativas e em períodos reprodutivo. Alguns exemplos são a Aroeira (Schinus terebinthifolius), Jatobá (Hymenaea sp.), Açafrão da terra (Zingiberaceae), Angico (Magnoliopsida), Insulina vegetal, cor de vinho e roxo, que tem uma coloração diversificada e consegue extrair várias tonalidades, Murici (Byrsonima), dentre outras. "Nesse período, as cascas têm cinco a seis vezes mais tintas que em outros períodos". 

Para chegar ao resultado que se vê nas imagens, ele aperfeiçoou um método. "Tem um processo em que faço o desenho e a tinta daquelas folhas passam para o seu tecido, você pensa que é serigrafia, mas não é. Deixo as folhas durante um processo de oito dias no tecido. Eu faço o experimento com uma lavagem para saber se a tinta vai sair", explica. Também há peças que são misturadas, prensadas de forma firme e compactadas com as plantas em cozimento. Deste modo, elas não perdem a coloração.

Dentre os desenhos e formas estão folhas em blocos, cones, espirais, e o universo feminino. Para criar, ele se inspira na natureza, nas diferentes manifestações da vida, na diversidade de formas e cores das plantas. O sucesso das peças vem crescendo cada dia e já conquistou o maquiador Marco de Biaggi. Manoel fez 4 peças para um filme que está sendo gravado em Aliança, Pernambuco, com tingimento natural.

Fonte: Meio Norte / Edição: Jornal da Parnaíba

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