01. A Petrobrás e o cartel do metrô de SP, os
mensalões do PT e do PSDB, o fisiologismo do PMDB etc. Não são mais que
sintomas graves do longo caminho já percorrido pelo malfeito, pela pilhagem e
pela astúcia. Sem extrapolar os limites do Estado de Direito (não é preciso que
nos convertamos em fascistas ou populistas para combater a troika maligna
formada pelos políticos e outros agentes públicos + agentes econômicos +
agentes financeiros, unidos pela bandalheira e corrupção), chegou o momento de
a sociedade civil brasileira se posicionar de forma implacável e decisiva
contra todos os inescrupulosos que se apoderaram criminosamente de grandes
parcelas do poder no Brasil.
02. Império (1822-1888), República Velha
(1889-1929), ditadura (1930-1945), República Nova (1946-1963), nova ditadura
(1964-1984) e redemocratização (1985-2014): já são quase 200 anos de
governos patrimonialistas (quem está no poder considera o Estado como
patrimônio pessoal que deve ser apropriado) e clientelistas (manutenção do
poder político por meio de favores e escambos regados a uma imensa corrupção),
incapazes de solidificar as instituições elementares de um Estado
forte e pujante, quais sejam: uma democracia vigorosa (seu lugar sempre foi
ocupado por oligarquias), uma economia e um mercado forte e distributivo (que
aqui sempre foram sufocados pelos oligopólios e pela brutal desigualdade), uma
Justiça eficiente (por aqui nunca se viu o império igualitário da lei) e uma
sociedade civil consciente e participativa (no lugar disso o que temos visto é
sua escandalosa manobra por políticas populistas).
04. Os partidos políticos, os políticos e outros
agentes públicos, aliados a agentes econômicos e financeiros, constituíram uma
troika maligna deplorável, pois destoam completamente do que seriam (num Estado
democrático de Direito) práticas e instituições sustentáveis, segundo princípios
éticos inabaláveis. Em geral, quais são os princípios e ideias que os
distinguem no mundo político ou empresarial? O que aqui se vê é a atuação da
troika para a preservação dos seus poderes e privilégios bem como para a tutela
dos seus interesses. Seus atos não exprimem mais que egoísmo e personalismo.
Mudam alguns nomes (temporariamente), mas não os perfis nem muito menos os
vícios pérfidos, que corrompem, gastam e dissipam o erário público, cada vez
mais exangue diante da ganância corruptiva das organizações criminosas que se
preservam por meio do fausto financiamento das caríssimas campanhas eleitorais.
Deturpação e desvio de finalidade maiores na democracia não existem.
05. A troika maligna, liderada ou composta pelos
políticos assim como pelos partidos, alavancam progressos, mas, ao mesmo tempo,
tal como gafanhotos famintos, vorazmente consomem grande parcela dos recursos
de forma ilícita, esquecendo-se completamente do bem comum. Uma ou outra ação
positiva para a nação não chega a afastá-los da pecha de nocivos e perigosos,
porque são os protagonistas mais ostensivos da criminalidade organizada PPP-PPE
(parceria público/privada para a pilhagem do patrimônio do Estado). Todos (com
raras exceções) apresentam-se igualmente desonrados e aviltados pelos vícios
comuns, esvaziando-se a autoridade e a força moral. Como sublinha Timon
(personagem de J. F. Lisboa), "mal ergue um deles a voz para exprobrar ao
outro tal erro, tal falta e tal crime, para logo a exprobração contrária quase
idêntica vem feri-lo no coração, fazendo-o emudecer completamente, posto que a
falta de pudor é a qualidade dominante de todos eles: pudor, moral, respeito e
decoro nada significam desde que triunfem nas urnas e levem a cabo seus
mesquinhos desígnios". A corrupção no Brasil precisa ser passada a limpo e
isso significa, desde logo, fazer valer o império da lei frente a todos.
Por Luiz Flávio Gomes
Edição Jornal da
Parnaíba

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