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| Budega do Povo - empreendedores solidários |
No dia 19, o projeto Pesca Solidária, patrocinado
pela Petrobras por meio do programa Petrobras Socioambiental, realizou visitas
técnicas com a Associação de Pescadores e Marisqueiras do Estuário do Timonha e
Ubatuba (APEMTU) à 4 empreendimentos de agricultura familiar, no município de
Viçosa do Ceará.
Participaram dessa atividade, além de técnicos do
projeto, 5 dirigentes da APEMTU e 7 convidados selecionados pelos associados em
suas localidades. Essa visita teve por objetivos conhecer empreendimento
solidários que possam contribuir e orientar a Associação em seus planejamentos
e ações, e contou com a parceria do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão em
Agroecologia Cajuí.
As visitas técnicas, previstas no projeto,
contribuirão para o alcance dos objetivos estabelecidos para incremento da
renda das comunidades, a partir da agregação de valor ao pescado e do
desenvolvimento de atividades produtivas de baixo impacto. Além dos empreendimentos
desenvolvidos por associações ou individuais, é pretendido conhecer também instituições
de pesquisa.
A primeira visita foi feita a uma feira orgânica
organizada por um grupo de mulheres vinculadas ao Sindicato dos Trabalhadores e
Trabalhadoras Rurais de Viçosa do Ceará. Lá aconteceram diálogos com diversos
agricultores e agricultoras que comercializam de forma direta com o consumidor.
Foi valorizado assim, a troca de saberes, além da degustação dos produtos
cultivados sem o uso de agrotóxico e adubos químicos. A feira ocorre todos os
sábados pela manhã, em frente ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras
Rurais de Viçosa do Ceará.
Junto a essa feira, foi visitado também um espaço
coletivo duma cooperativa denominada Budega do Povo, uma rede de
empreendimentos solidários que existe em 4 locais do Ceará. Seus membros são
todos autônomos, que trocam mercadorias para viabilizar uma comercialização de maior
alcance. A Budega do Povo fica localizada nos fundos do Sindicato e tem funcionamento
diário das 8:00 às 12:00h.
Nesses espaços se pode verificar como é difícil a
comercialização dos produtos num ambiente dominado pela falta de informações,
onde o consumidor não tem conhecimentos sobre o que come. Na maior parte das
vezes são alimentos com muitos insumos químicos que prejudicam a vida de quem
os comem e do ambiente onde são produzidos.
Apesar disso, foi notado que cada vez mais,
agricultores e agricultoras familiares conseguem resistir e melhorar suas vidas
com a produção de alimentos mais saudáveis, embora que ainda em pequena escala.
Com isso, o grupo partiu para visitar duas
propriedades que produzem alimentos e comercializam na feira e na Budega.
O primeiro local foi o lote do Jorgiel, assentado
pelo programa Crédito Rural, do Governo Federal, no Assentamento Bom Jesus II
em Tianguá, CE. Jorgiel está assentado há cerca de 5 anos e já foi trabalhador
rural em unidades de produção de alimentos que faziam uso de muito agrotóxicos,
mas percebeu que em sua terra não conseguiria produzir daquela maneira; por
isso decidiu produzir sem o uso de insumos químicos.
Contudo ele enfrenta problemas estruturais nesse
tipo de agricultura familiar, devido à inexistência de políticas públicas
voltadas e adaptadas à essa forma de produção no Brasil: não existe assistência
técnica e o acesso ao crédito é muito difícil.
Ainda assim produz uma infinidade de produtos como:
tomate, cenoura, couve, beterraba, pepino, maxixe, quiabo, maracujá, com
utilização de práticas como compostagem, vermicompostagem, biofertilizantes,
cultivo protegido e viveiro de mudas próprio.
Na outra propriedade visitada, a do senhor Antônio
José e Antônia Elizabete, foi possível observar maiores dificuldades na
produção, pois estão localizados no distrito de Juá dos Vieiras, onde a água é
um problema grande. Para lidar com isso, eles investiram em diversas
tecnologias sociais, como a horta mandala e a barragem subterrânea, processos
que visam otimizar a produção e garantir água durante toda a safra. Mesmo
assim, os três últimos anos de seca provocaram grande perca de área
agricultável e hoje se mantêm numa área menor, com produção de tomates.
Nesses dois lugares as dificuldades existem, porém
a produção organizada com a família e solidária com os amigos da feira e da
Budega do Povo, além do apoio dos comunitários das próprias localidades, é
possível obter resultado, inclusive financeiros, pois comercializam com valor
agregado, tendo em vistas a qualidade de seus produtos.
Edição do Jornal da
Parnaíba
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Ccom Pesca Solidária






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