Cidades não obedeceram ao prazo para envio de
planos municipais e podem sofrer penalidades por crime ambiental. Adiamento foi
solicitado.
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| Presidente da Associação Piauiense dos Municípios (APPM), Arinaldo Leal |
Encerra no próximo dia 02 de agosto o prazo para
adequação à Política Nacional dos Resíduos Sólidos, instituída em 2010. A lei
federal determina, dentre diversos aspectos, a criação de aterros sanitários e
a extinção de lixões, que deverão seguir padrões técnicos rigorosos de
tratamento dos resíduos e de preservação ao meio ambiente. Quatro anos
depois, não existe no Piauí nenhum aterro sanitário que atenda a todos os
requisitos exigidos.
Teresina é a cidade que mais se aproxima do que
seria considerado ideal quanto às normas para funcionamento dos aterros
sanitários. Em Parnaíba, litoral piauiense, a situação também atende aos
padrões mínimos, já que, além de Teresina, é a única que possui aterro e coleta
de lixo regular, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Estado. Mesmo
assim, nenhuma cidade atende totalmente as exigências e, na capital, um dos
principais processos que devem ser realizados após a decomposição do lixo, não
está sendo cumprido, que é o tratamento do chorume. Este é o líquido
proveniente da decomposição de resíduos orgânicos, altamente poluente e contaminante
do meio ambiente e das águas subterrâneas.
“A prefeitura contratou uma empresa que ofereceria
diversos serviços para que a cidade de Teresina se adequasse à Política
Nacional. Muitas coisas foram feitas, como a impermeabilização do solo que
receberia a estação de tratamento de chorume, a implantação de drenos de gás e
águas das chuvas, mas a estação de tratamento ainda não está funcionando. O
chorume não está sendo tratado e a empresa não apresenta soluções”, explica
Vicente Moreira, secretário executivo da Secretaria Municipal de
Desenvolvimento Urbano e Habitação.
Municípios do interior não possuem planos de
atuação e pedem adiamento do prazo
Nas cidades do interior do Piauí, a situação é
ainda pior. Segundo o presidente da Associação Piauiense dos Municípios (APPM),
Arinaldo Leal, a maioria dos municípios sequer foi capaz de elaborar um dos
pontos básicos da política nacional, que é o plano de gestão municipal. O
presidente da Fundação Nacional de Saúde, Henrique Pires, solicitou adiamento
no prazo de entrega.
A questão do atraso gera um dos principais impasses
quando ao tratamento do lixo no Estado do Piauí, já que sem ele o Governo
Federal não realiza nenhum repasse de verbas para a implantação das estruturas
necessárias, como esclarece o artigo 18 da Seção IV da Lei 12.305/10: “Art. 18.
A elaboração de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, nos
termos previstos por esta Lei, é condição para o Distrito Federal e os
Municípios terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados
a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de
resíduos sólidos, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos
de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade”. O mesmo vale
para os planos estaduais.
Em agosto do ano passado, venceu o prazo para que
todos os municípios elaborassem seus planos de gestão. Somente 10% dos 5.565
municípios do país conseguiram cumprir. No interior do Piauí, somente Pedro II
entregou o documento no prazo correto. “Os municípios não têm dinheiro nem para
realizar as adequações nem para elaborar este plano. Isso porque para um
planejamento deste porte é preciso, também, gastar muito. Os prefeitos teriam
que escolher entre cumprir uma folha de pagamento ou fazer esse mapeamento”,
justifica o presidente da APPM.
Segundo ele, seria necessária a contratação de
profissionais especializados, como geólogos, engenheiros civis e geógrafos,
além da necessidade de equipamentos que custariam caro às prefeituras. Contudo,
esse planejamento não é custeado pelo governo federal. Dentre os aspectos que
deverão ser analisados durante a produção do plano, estão o levantamento da
área onde os aterros sanitários deverão ser construídos, o tipo de lixo que
poderá ser tratado no local, a viabilidade de reciclagem de resíduos, a
avaliação quanto à preservação ambiente e a impermeabilização do solo.
O presidente destaca ainda que, por conta disso, o
Ministério Público foi acionado para intervir. Conjuntamente, uma proposta de
adiamento será votada no próximo dia 05 de agosto. O objetivo é prorrogar o
prazo de adequação das cidades brasileiras, que durou quatro anos, mas não foi
suficiente para muitas delas, incluindo todos os 224 municípios piauienses.
O maior receio dos prefeitos que não conseguiram se
adaptar à lei federal é que podem ser denunciados pelo Ministério Público. Eles
podem ser processados por Crime Ambiental, cujas multas previstas variam de R$
5 mil a R$ 50 milhões.
Estado precisaria da construção de pelo menos 23
aterros
No Piauí, de acordo com a Associação Brasileira de
Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), seriam necessários 23 novos aterros
sanitários. O projeto produzido pela entidade, ainda em 2011, conta com 13
aterros sanitários de grande porte e outros dez, de pequeno porte. O estado
precisaria desta quantidade de aterros para acabar com todos os lixões
existentes à época. O custo total para a construção das 23 instalações chegaria
a R$ 37,7 milhões.
A questão havia sido reforçada após auditoria
realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí em 2011 e 2012. Após
análises e pesquisas feitas em todos os municípios piauienses, constatou-se a
necessidade de intervenção junto às cidades quanto ao tratamento de resíduos
sólidos.
Além do problema dos aterros sanitários,
observou-se inúmeros problemas secundários, como a ausência de equipamentos de
proteção individual e da vacinação dos operários envolvidos, colocando em risco
a saúde desses trabalhadores. Outros problemas identificados pela auditoria
foram o uso de transportes que contrariam as normas sanitárias, a disposição
final inadequada dos resíduos (despejados a céu aberto), na maioria dos
municípios e a inexistência de licença ambiental.
Edição do Jornal da
Parnaíba
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Por Maria Romero/O Dia


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