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| Fernando Gomes, sociólogo |
Por Fernando Gomes (*)
Esta frase é da escritora mineira
Adélia
Prado e Rubem Alves,
explica: “O comer não começa com o
queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter
queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de
arranjar um queijo…”
Isso tem tudo a ver com a
política. Com o momento político que vivemos em nosso país, em nosso estado e
em nossa cidade. O representante político outorgado pelo povo através do voto
não é um mero detentor de mandato, mas alguém que deveria instigar no cidadão a
fome de participar, a vontade de colaborar mais e mais.
De que adianta reclamar da
qualidade da representação política se no período eleitoral votamos sem o
devido cuidado, sem critério algum?
Dizia Sócrates que as pessoas são capazes de buscar as respostas de
forma autônoma se forem questionadas devidamente. A pergunta é a base do método
socrático. Sim, devemos questionar, criar pontos de interrogação em nós mesmos
e nos políticos. Isso é gerar a fome. E depois disso, partimos para o desejável
controle social participativo.
Uma grande maioria dos políticos
usa um método estabelecido pelo sistema dominante. Muito do que é praticado não
é objeto da participação ou necessidade da sociedade. Então por que não
invertemos a ordem das coisas? Por que não começar pelas perguntas? Eis o
desafio. Iniciar pelo problema, pela dúvida, pelo objeto de curiosidade das
pessoas. Se queremos um representante de qualidade por que não escolhemos um representante de qualidade?
Quem é esse? Qual a sua conduta, seu caráter? Seus hábitos e costumes são
respeitáveis? Afinal devo confiar nele?
E ao refletir sobre como por em
prática isso tudo, uma nova pergunta surge: “O interesse de um, não é o
interesse do outro. E aí? Como fazer para atender a interesses individuais num
ambiente coletivo?” A resposta está em contemplar os interesses coletivos acima
dos individuais.
Um único político (ou poucos,
como é o caso) falando em ética, solidariedade e justiça a uma população
que tem interesses distintos e muitas vezes individualistas, é um desperdício!
É dar queijo e faca para muitos que não estão com a mínima fome ou mesmo vontade
de comer.
Refletindo sobre isso, chegamos à
conclusão de que é preciso aprender a instigar a fome dos eleitores. É uma
árdua tarefa que devemos todos abraçar. Não há receita pronta, nem mágica, mas
um trabalho árduo, persistente e amoroso que deve ser empreendido para tocar o
coração e a mente de cada pessoa individualmente. Sei que tal mudança não
ocorre do dia para noite, mas ao longo de um período de muita maturação e
experimentação contínua.
Logo, propor-se a não responder
as perguntas aos outros explicando o porquê de vivermos em uma sociedade que
não promove os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade não é a melhor
saída. Vamos permitir que os outros pensem, logo encontrarão a resposta e nesse
caminho poderão refletir sobre as razões estratégicas que mantêm as coisas como
elas são. Pense nisso!
Para finalizar, mais algumas sábias
palavras do Rubem Alves que sintetizam essas reflexões: “(… ) se o desejo for
satisfeito, a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o
pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é
realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam
as respostas antes que tivesse havido perguntas.”
(*) Fernando Gomes, sociólogo,
cidadão, eleitor e contribuinte parnaibano.
Edição do Jornal da Parnaíba
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