No momento em que as atenções estão voltadas para o
grande crime organizado político-empresarial (disso são exemplos Petrobra$,
metrô$P, mensalões do PT e do PSDB etc.), importa sublinhar que os outros
crimes organizados não estão estacionados. O PCC (Primeiro Comando da Capital),
por exemplo, não para de crescer. O que caracteriza o maior crime
organizado privado no Brasil (PCC) é a expansão, diversificação,
tentáculos internacionais, conexões com grupos estrangeiros assim como a
capilaridade nacional. Trata-se de um crime organizado de comando privado que
se incrementa a cada dia, tendo potencialidade para se tornar uma grande
organização mafiosa, que emerge quando ela se infiltra profundamente nas
estruturas do Estado, ou seja, na política, na polícia e na Justiça, para
garantir o sucesso dos seus "negócios" assim como a impunidade,
agindo por meio da fraude, da corrupção, da violência, da ameaça, do medo e
da omertà = silêncio.
02. Em 2006, quando aterrorizou a cidade de São
Paulo, entrando em conflito armado com a polícia (mais de 40 policiais foram
mortos e, ao mesmo, mais de 500 jovens foram assassinados), sua potência
residia mais na violência que nas contas bancárias. Seu poder hoje, como
confirmam as recentes investigações policiais e do Ministério Público, é
incomparavelmente maior que há oito anos (faturava mais de R$ 120 milhões por
ano em 2013). O mundo está permanentemente em movimento. Quem não cresce (quem
não avança), parado não fica; quem pensa que se encontra parado, na verdade,
minuto a minuto, está indo para trás. O escândalo da Petrobra$ passou a ser o
centro dos holofotes, mas não podemos esquecer que esse tipo de crime
organizado (político-empresarial e não violento) não é o único que está
destruindo nossa sociedade e nossa democracia. A percepção comum capta enormes
concorrências (dentre aqueles que pretendem se apoderar do Brasil) nas
religiões, na política, na ideologia, no mercado, nas comunicações etc. O que
ignoramos? Que esse fenômeno também existe entre os vários crimes organizados
(os privados, os milicianos, os da banda podre da polícia e o
politico-empresarial).
04. As organizações citadas, ademais, contam
com empresa offshore no Uruguai, que era usada para movimentar o dinheiro
obtido com o negócio criminoso. Em uma reportagem do O Globo se
soube, posteriormente, da ligação do PCC com o Hezbollah, facção política
e militar radical que atua no Líbano. Associaram-se para uma troca de favores:
o PCC, que manda em vários presídios brasileiros, vem dando proteção aos
traficantes de origem libanesa presos no Brasil e ligados ao Hezbollah,
enquanto este lhe paga com armas e explosivos contrabandeados. Com tanto
dinheiro e tanto armamento, o previsível é que o PCC cresça desenfreadamente, à
sombra do Estado oficial, cada vez mais vulnerável e mais débil, para fazer
frente ao tráfico de drogas. O PCC já deixou de ser apenas paulista, posto que
se "nacionalizou" (já está presente em 22 Estados).
05. "Foi-se o tempo em que vivia de
contribuições de seus associados, fruto de ações criminosas acanhadas, dentro e
fora dos presídios. O tráfico de drogas, com o qual faturava R$ 120 milhões por
ano (em 2013), segundo trabalho feito pelo Ministério Público de São Paulo, já
é uma das suas principais fontes de renda" (agrega o Estadão). O
Ministério Público (acrescenta o editorial citado) "também acaba de
denunciar à Justiça duas pessoas ligadas ao PCC acusadas de utilizar vans
que integram o serviço de ônibus de São Paulo para lavar dinheiro obtido
com o tráfico". Uma ligação que há muito se suspeitava existir e que agora
começa a ser comprovada (uma correspondência encontrada num presídio seria mais
indício desse vínculo do PCC com o transporte público em São Paulo - Estadão 9/12/14).
06. Mas a área em que o PCC mais tangencia a nossa
cleptocracia (Estado governado também por ladrões) diz respeito ao comando dos
presídios. O PCC está governando mais de 90% dos presídios no Estado de São
Paulo, conforme Camila Dias, "PCC - Hegemonia nas Prisões e Monopólio
da Violência", Editora Saraiva. A fraqueza institucional sistêmica
(ausência do império da lei para, sobretudo, desmantelar o poder econômico do
crime organizado assim como a inexistência de políticas públicas preventivas)
está na raiz do problema (que se agiganta a cada dia, porque não para de
crescer).
Edição Jornal da Parnaíba
Por Luiz Flávio Gomes


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