Cada país é livre para adotar seu modelo de
política criminal. Alguns andam pelo caminho correto e estão com 1 assassinato
para cada 100 mil pessoas (Suécia, Holanda, Nova Zelândia, Coreia do Sul etc.).
Contam com 98 presos para cada 100 mil pessoas. Os dois primeiros, aliás, estão
fechando presídios, por falta de criminosos que devam ir para eles. Qual a
política deles? Certeza do castigo e política socioeconômica e
educativa para todos (alto nível de escolaridade, renda per capita de US$
50 mil, império da lei, respeito aos direitos humanos etc.). Qual a política
criminal brasileira, aclamada pela população e ratificada pela mídia e pelos
políticos? Edição de novas leis penais mais severas (nunca a certeza do
castigo) e o massivo e aloprado aprisionamento (inclusive de criminosos
não violentos) (nunca uma política socioeconômica e educativa, muito menos
punições educativas).
O resultado dessa política doida e
inconsequente que as lideranças malucas (no campo criminal) nos impuseram
está aí: 29 assassinatos para cada 100 mil pessoas (verdadeiro genocídio), 20%
da população foi vítima de algum crime no ano passado (roubo, furto, agressão),
o Brasil é o 13º mais violento do mundo, das 50 cidades mais violentas do
planeta, 16 estão no nosso país, 358 presos para cada 100 mil etc. Etc.
Adotando uma nova metodologia, o Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) divulgou (junho/14) os dados atuais do Sistema Penitenciário
Nacional.
Na divulgação do CNJ havia uma diferença de 63
presos; seus números foram retificados após solicitação de informação pelo
Instituto Avante Brasil. A pesquisa mostrou ainda que há um déficit de vagas de
210.436. Foi feito ainda o cálculo do número de mandados de prisão a serem
cumpridos, um total de 373.991; quando esses foragidos forem para a cadeia (se
é que em algum dia irão), o total cresceria para 1.089.646, e um déficit de
vagas passaria de 500 mil. Dos presos em presídios, 41% é cautelar
(provisório), ou seja, são presumidos inocentes aguardando suas sentenças (no
final, como se sabe, muitos são absolvidos).
Levando-se em conta os novos números, o Brasil (com
715.592 presos) pode ter passado do quarto para o terceiro lugar entre os
países com maior população carcerária, ultrapassando a Rússia (676.400; falta
saber quantos presos domiciliares eles possuem) e ficando atrás apenas de
Estados Unidos (2.228.424) e China (1.701.344) em números absolutos. A política
do endurecimento das leis penais mais prisões alopradas (de gente não violenta)
nunca diminuíram os crimes em médio prazo. Nunca! É uma política
errada (e o triste é que a mídia não percebe isso). A política correta é a
da certeza do castigo, aliada às políticas socioeconômicas e
educativas. Enquanto não colocarmos o trem no trilho, é só ir computando os
cadáveres antecipados, que retratam um dos mais maquiavélicos genocídios do
planeta. A população um dia deve ser indenizada por isso, recaindo sobre a
troika maligna (agentes financeiros especuladores, agentes econômicos
extrativistas e Estado e agentes públicos corruptos) a responsabilidade.
Da redação do Jornal da
Parnaíba | Fonte: IAB
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