quinta-feira, junho 19, 2014

Artesãs usam sua arte para salvar espécies e garantir biodiversidade no litoral do Piauí

Na natureza foram criadas as tartarugas, foram criadas as estrelas do mar, foram criados os peixes-bois, foram criados os botos, as baleias. Mas as mãos dos homens não são tão humanas assim e terminam por colocar em risco a vida das tartarugas, das estrelas do mar, dos peixes-bois e de seus ambientes.

Agora, as artesãs da Ilha Grande de Santa Isabel, de Parnaíba (345 km de Teresina), usam suas habilidosas mãos para salvar essas espécies tecendo com palha de carnaúba as tartarugas, as estrelas do mar, os peixes -bois e os cavalos marinhos em fruteiras, bolsas e peças utilitárias para salvar essas espécies com a conscientização das pessoas que animais do ambiente onde vivem, no litoral do Piauí precisam ser salvos tanto pela saúde do ecossistema como dos próprios homens.


O Projeto Biomade Artesanato da Biodiversidade, do , financiado pela Petrobras, é executado em parceria com a Associação das Artesãs em Trançado da Ilha Grande de Santa Isabel.

A coordenadora do Projeto Biomade Artesanato, a bióloga e professora da Faculdade Maurício de Nassau de Parnaíba Verlane Magalhães, afirma que o trabalho do projeto é fazer com que as artesãs da Ilha Grande de Santa Isabel levem a conservação através de sua arte, de seu artesanato.

“A gente iniciou um trabalho com as artesãs para enviar mensagens sobre o meio ambiente em que se vive, da fragilidade da região do Delta do Parnaíba, dos animais ameaçados de extinção que frequentam a região. A partir daí pedimos a parceria com a Associação das Artesãs de Trançado da Ilha de Santa Isabel para defender essas espécies da biodiversidade ameaçadas de extinção através de seu artesanato. Elas toparam, se envolveram, abraçaram a causa e hoje o projeto consegue ajudar para que participem de feiras e participem de cursos de capacitação”, afirmou Verlane Magalhães.

A partir desse trabalho, as fruteiras, os suplats, as bolsas, as peças de decoração e utilidade doméstica ganharam formas de estrelas do mar, de tartarugas, de peixes-bois e cavalos marinhos.

“A gente passa a mensagem da fragilidade do meio ambiente e cria estratégias de conservação”, declarou Verlane Magalhães.

No estuário de Barra Grande, no município de Cajueiro da Praia, tem estrelas do mar, peixes-bois e tem uma trilha de cavalos marinhos.

Por isso, o trabalho de conservação do meio ambiente e de preservação das espécies ameaçadas passam por arranjos produtivos que sejam a favor da natureza e não tenham um impacto contra ela com é o trabalho de produção de artesanato e de visita à trilha dos cavalos marinhos, que são vistos, nunca pescados.

“Na medida em que as pessoas usam peças de artesanato no dia a dia na forma dessas espécies vão amando o meio em que vivem e suas espécies. Passam a perceber a importância dos animais que estão ali ao seu lado. Se existem esses animais significa que ainda vivemos em um ambiente saudável”, declarou a bióloga.

Peças artesanais serão distribuídas em postos de combustíveis e chegam na Alemanha e Finlândia. O sucesso das artesãs do trançado da Ilha de Santa Isabel estão produzindo pelas artesanais como suplats e bolsas que a Petrobras Distribuidora vai distribuir nos postos de combustíveis de sua bandeira em todo o país.

As peças em forma de animais da região do litoral piauiense e do Delta do Parnaíba já estão sendo vendidas em outros países como Finlândia e Alemanha.

A presidente da Associação das Artesãs do Trançado da Ilha de Santa Isabel, Serrate Maria Souza Gonçalves , de 47 anos, afirmou que o Projeto Transado da Ilha começou com o Programa Artesanato Solidário, criado por Ruth Cardoso, em 2000. O programa ajudou as artesãs durante um ano e depois se afastou.

As artesãs continuaram mantendo parcerias com o Prodart (Programa de Desenvolvimento do Artesanato), do Governo do Estado, com a Petrobras e agora com o Projeto Biomade.

O projeto nos ajuda com o design das tartarugas do mar, dos cavalos marinhos. A gente não sabia da importância que esses animais tinham. Nós moramos no litoral e não sabíamos a importância que tem esses animais. Agora, a gente coloca esses animais nas peças e as vendas aumentaram. Todas as peças que a gente leva para as feiras, a gente vende”, afirmou Serrate Maria.

A associação tem 25 artesãs e ganham uma média de meio a dois salários mínimos mensais. Do valor arrecadado com as vendas das peças artesanais, 20% fica com a Associação das Artesãs do Trançado da Ilha de Santa Isabel e as artesãs ficam com o restante.

As artesãs fazem todas as peças de cestaria com as palhas de carnaúba, como os porta-pratos, as fruteiras, os suplats, mandalas, bandejas e as fruteiras de tartarugas, que são vendidos em São Paulo, Brasília, Santa Catarina, para a Alemanha e Finlândia.

“As nossas pelas têm muita aceitação, graças a Deus. Através do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), as nossas peças foram para a Alemanha. Para a Finlândia, as nossas peças foram porque nós tínhamos um cliente em São Paulo, que de lá ela manda para o país”, declarou Serrate Maria.

Serrate Maria diz que a Associação das Artesãs do Trançado da Ilha de Santa Isabel agregou a mensagem de preservação das espécies para a geração de empregos e renda por causa do design dos animais.

“No começo, a gente não sabia fazer, mas o projeto trouxe o design e a qualificação e a gente agregou nas peças esse aprendizado”, falou.

Palhas de carnaúba são pintadas com anilina para colorir as peças

As mulheres da Associação do Transado da Ilha de Santa Isabel trabalham com palhas de carnaúba que são retiradas as palmeiras pelos maridos. Essa é tarefa masculina na produção do artesanato.

Elas separam as palhas, as desfiam para fazer o transado. Também pintam, depois de secas, as palhas de carnaúba com anilina de cores fortes como amarelo ouro, vermelho, roxo, laranja, abóbora, azul e verde.

Essas cores ganham formas geométricas nas peças produzidas pelas artesãs. São cores solares que bem representam o litoral piauiense.

A artesã Francisca Maria Gonçalves da Silva trabalha com trançado de palha de carnaúba desde os nove anos de idade. Isso há 21 anos.

“Estou fazendo agora um porta-pratos. Eu trabalho há 21 anos como artesã e na Associação das Artesãs há 14 anos porque antes era um Centro de Produção. Eu aprendi a fazer o transado vendo minha mãe fazer. Usamos só a palha de carnaúba, que fica colorido porque a gente tinge com anilina para palha. Antigamente a gente divulgava a preservação das tartarugas em forma de peças, mas agora trabalhamos com toda a diversidade, com as estrelas do mar, golfinhos e peixes-bois. Os consumidores adoram. Por isso estou fazendo mais porque não sobra nenhuma peça”, declarou Francisca Maria Gonçalves.

A artesã Maria Lucielma da Silva afirma que a parte da coleta das palhas para a produção do artesanato fica com os olhos.

“É a parte dos maridos. Eles vão aos carnaubais, fazem a retirada do material para as mulheres. A carnaúba é uma planta nativa, que dá todo o ano e a coleta é o trabalho dos homens”, declarou Maria Lucielma, lembrando que com o trançado é mais fácil fazer as tartarugas e as estrelas do mar e os outros animais são feitos com a palha de carnaúba bem desfiada para fazer crochê.

“Assim a palha fica mais maleável para a produção dos golfinhos e cavalo marinho”, conta a artesã.

A artesã Aline Costa e Silva, de 24 anos, diz que o trabalho das artesãs preserva o meio ambiente, a tradição do artesanato da Ilha Grande de Santa Isabel de Parnaíba e a sobrevivência de suas famílias.

“É com o artesanato que a gente ganha o pão. É um trabalho fácil e prazeroso”, falou Aline Costa, lembrando que faz bolsas e cestas.

“Aprendi rapidinho”, adiantou.

Edição do Jornal da Parnaíba
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Por Efrém Ribeiro/Meiro Norte

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