Enganar vem do latim vulgar ingannare, significa
burlar, iludir, trapacear, mas é também uma arte!
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| Fernando Gomes |
Que justiça social é possível num governo que
“tapa-buracos”?! Enganar???
Precisamos compreender o contexto em que emerge uma
ação política de enganação. Quem são os atores sociais desse contexto? Quem são
os gestores? Como se comporta a sociedade? O que o “sistema” quer? O que nós
queremos?
Antes, é preciso tomar consciência de que nós somos
agentes de nossa própria história, mas são muitos os que não têm o direito de escolher
o seu próprio destino... Uma política de participação, de inclusão é o que se
espera de um governo que se diz democrático, popular e legítimo. Mas qual é a
prática que temos? Obedecemos o que nos impõem? Até que ponto somos dependentes
e que tipo de dependência?
No imaginário social, o discurso da “obediência em
função da dependência”, é pregado de tal forma que a abordagem parece
justificar a vida miserável dos indivíduos em nossa sociedade.
Parnaíba há muito se ressente de um governo que
zele pelo bem público e cuide das pessoas como se deve exercer o poder ao qual
foi constituído. “Maquiar” as avenidas São Sebastião e Pinheiro Machado é um
“grande feito”. Ora, se os últimos que passaram nem isso fizeram, logo o pouco
que se faz é algo memorável. Diria, antes, que é mais que a obrigação do Poder
Público. Além do que, falta transparência nas ações: como se contrata e quanto
se paga...?!
Que tipo de sociedade governo como este produz?
Princípios éticos como solidariedade, respeito, liberdade, igualdade não fazem
parte da estratégia ou projeto político deste poder. Para este, o importante é
identificar “lideranças” e acomodá-las perto do agente público e fazer o
“feijão com arroz”, como já dito grande parte dos antecessores nem isso
fizeram, logo, a comparação é inevitável e põe em vantagem os de hoje...
Lamenta-se a pequenez e, sobretudo a falta de
compromisso com os verdadeiros objetivos de um governo, ou seja, o de cuidar
das pessoas, promovendo o bem-estar social. Registra-se também que passa
distante a responsabilidade de dar voz e espaço aos excluídos historicamente.
Fácil é passar uma mão de cal nos meios-fios da
avenida São Sebastião, difícil é pavimentar as ruas de bairros periféricos;
fácil é reformar uma casa simples onde funciona o Posto de Saúde do Reis Veloso
por R$ 120 mil (o valor daria para adquirir uma nova e melhor), difícil é
evitar que os pobres venham diariamente, na madrugada, em busca de atendimento
médico nesse mesmo posto; fácil é colocar um enfeite de natal no balão do
mirante, difícil é incorporar o verdadeiro sentido cristão que resulte em boas
práticas administrativas; fácil é anunciar obras e projetos, difícil é concluir
o que há muito se espera (matadouro, saneamento, banheiros do São Vicente de
Paula, drenagem de águas pluviais das ruas Oeste, Carpina e Anhanguera -
piscinão); fácil é derrubar as favelas para “limpar” a cidade, difícil é evitar
que hajam favelados ou cuidar dos que já estão em favelas; fácil é dizer que se tem “caixa”, difícil é
aplicar corretamente os recursos, honrando os compromissos; fácil é promover o
SALIPA, Feira Agropecuária, Festa Junina, Réveillon e Carnaval, difícil é dar
transparência aos processos de contratação destes serviços e dizer quanto se gasta;
fácil é anunciar um concurso público, difícil é contratar comissionados que
trabalhem e zelem pela coisa pública; fácil foi discursar nas campanhas e
elaborar um plano de governo, difícil é honrar tudo isso!!!
Rui Barbosa escreveu este texto em 1919, parece
atual: “Os antigos enxergavam no mentiroso o mais vil dos tarados morais.
Depois de enumerar todas as misérias de um perdido, concluíam, quando cabia; ‘E,
até mente’. Entre dois ladrões crucificaram os judeus a Jesus; porque não
ousaram excruciá-lo entre dois burlões. O ladrão prostitui, com o roubo, as
suas mãos. O mentiroso, com a mentira, a própria boca, a palavra e a
consciência. O ladrão ofende o próximo nos bens da fortuna. O mentiroso, não é
no patrimônio, é na honra, na liberdade, na própria vida. Tanto vai do
latrocínio a calúnia. Do ladrão nos livra a tranca, o apito, a guarda. Do
mentiroso nada nos livra; porque o enredo, a invencionice, a detração,
volatizados no ar, depois de tramados, sussurrados, cochichados ou temperados
com os condimentos do jornalismo, são impalpáveis como os germens das grandes
epidemias.”
Por Fernando Gomes, sociólogo, cidadão, eleitor e
contribuinte parnaibano.
Edição do Jornal da
Parnaíba
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