O Poder Executivo de Parnaíba comemora a aprovação
do Projeto de Lei que trata sobre o orçamento municipal para o exercício de
2014 e que será de R$ 325 milhões.
O Orçamento deveria ser uma revolução na
Administração Pública Brasileira, seja Municipal, Estadual ou Federal, quando é
aprovada pelo Poder Legislativo, vira uma Lei que apenas autoriza, mas não
obriga o Executivo a cumpri-la. Por exemplo, quando a Lei do Orçamento do
Município autoriza a construir dez escolas, não obriga o Prefeito a construir
dez escolas; ele poderá construir até dez escolas. Aqui em Parnaíba, ou em
qualquer município, é exatamente igual. O prefeito de Parnaíba como tantos
outros Prefeitos recebem a Lei de Orçamento do Município, sanciona-a, mas não cumprem-na.
O fato do orçamento não ter caráter impositivo e,
consequentemente, não ser cumprido à risca, é uma ficção porque o Poder
Legislativo vota e o Poder Executivo pode fazer da maneira que quiser. Desta
forma, pode selecionar, entre as obras previstas, quais serão executadas,
dentre outros exemplos que apontam a "escolha" do governo, como a
quem destinar as subvenções sociais...
O melhor caminho para alterar esta não obediência é
a adoção de orçamento impositivo, que obrigaria o executivo a cumpri-lo como
aprovado. O déspota tem, na lei, seus limites. Um Parlamento livremente eleito,
por pior que seja, logra impor limites.
Esta peça não tem sido levada a sério em nossa
cidade. Não resta dúvida que a previsão das receitas pode ser equivocada (falha
na previsão econômica, erro na apreciação de fatos futuros, etc), o que pode
levar, durante a execução dos gastos, eventuais alterações no rumo das
despesas. No entanto, não seguir o mínimo do que é planejado é rematado absurdo
e ostensiva desconsideração com o Parlamento e mais com a sociedade.
Em sendo assim, o orçamento deve representar
pretensões sociais legítimas e auscultadas na sociedade (daí a necessidade da
participação da sociedade).
O Orçamento Participativo é o avanço que se deseja
ter em uma cidade que tenha uma gestão responsável, pois permite que toda a
população participe das decisões de como gastar os recursos públicos,
priorizando-os e bem aplicando-os. O que é que ocorre quando não se faz o que
tem que fazer, lamentavelmente é o que temos aqui. Tudo é necessário: desde
tapar buraco, limpar a cidade, combater a dengue, acabar com a ocupação
irregular, melhorar a educação, organizar o trânsito, tratar da segurança
pública, reorganizar a saúde, etecetera.
De outro lado, vem o objetivo específico do
questionamento. O orçamento é peça que não vale nada, ou é conquista histórica
de controle institucional e, pois, deve ser obedecido? Desnecessário antecipar
a resposta, diante das premissas já assentadas. No entanto, impõe-se analisar
os fundamentos da conclusão.
A democracia não é invenção lúdica. Nela, a
população representada deve ter voz (por piores que sejam os representantes).
Ainda que se fale em lei de meios, contém as ideias básicas de como se
arrecada, efetuando uma previsão do quanto se tributa. A população tem direito
líquido e certo de saber, com anterioridade, quanto vai suportar em seu bolso.
Vê-se, pois, que o poderoso instrumento (ainda
desconsiderado) da plenitude democrática é a ação parlamentar. Como
amesquinhar, pois, o projeto encaminhado pelo Chefe do Executivo e aprovado
pelos representantes do povo?
Concluindo, o orçamento deve ser impositivo, não
deixando margem a manobras, titubeios ou qualquer tergiversação do Governo, a
pretexto de utilizá-lo como meramente autorizativo. Contém autorizações, com
certeza, na arrecadação, mas as despesas devem ser efetuadas de acordo com o
que foi determinado na lei orçamentária.
Caso contrário, como já se disse, teremos a
desmoralização da Câmara. Para que aprovar a lei orçamentária, se ela não será
cumprida? Ao contrário, diante da Lei de Responsabilidade Fiscal, o orçamento
deve ser executado tal como aprovado, pois, qualquer desvio envolve a
responsabilidade do Chefe do Executivo.
Por Fernando Gomes, sociólogo, cidadão, eleitor e
contribuinte parnaibano.
Edição do Jornal da
Parnaíba
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Um comentário:
Parabéns Fernando! Como é que faremos para mudar isso?
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