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| Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano |
Década de 60, anos de chumbo, o país mergulha na
mais triste página de sua história. Com o golpe militar de 64 inicia-se o
período de uma ditadura que reprimiu as liberdades individuais, causou morte e
dor a milhares de famílias brasileiras. Prisões injustificadas, tortura,
desaparecimento, exílio e morte marcaram este período fúnebre.
Jovens idealistas e conscientes foram protagonistas
de uma história de luta e resistência contra aquela política ditatorial do
regime militar. Combateram a repressão. Entre tantos ilustres brasileiros
estavam lá Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Lembro aqui destes
ícones por que eles protagonizam hoje um debate que vai no caminho inverso do
defendido àquela época.
Ironicamente, eles, além de outros artistas
brasileiros engrossam a fileira dos que se manifestam contra a lei que trata da
publicação de biografias não autorizadas.
Para entender: pela proposta o escritor pode
publicar uma determinada biografia sem a autorização expressa da pessoa. Eles
defendem que seja obrigado submeter os escritos à apreciação prévia do
biografado para autorizar ou não a publicação.
Figuras públicas terminam por pagar o preço da fama
pelo assédio vivido e em muitos casos perdem completamente a sua privacidade,
isso é fato. Porém, não se devem justificar quaisquer mecanismos que nos leve
de volta a censura, em qualquer medida. Isto é perigoso! Nada justifica a
retirada da liberdade de expressão, nem mesmo o fato de ter esta privacidade
violada, nem tampouco o fato de se ter no meio da imprensa profissionais
anti-éticos e corruptos, nem todos são assim. Logo, censurar, poder-se-ia
prejudicar os bons profissionais e o registro de fatos históricos importantes
ao conhecimento da sociedade.
Na ditadura militar tivemos uma forte censura,
presos políticos, tortura e morte, mas por outro lado foram desenvolvidos
mecanismos de contraposição despertando sentimentos de solidariedade,
confiança, sonhos e utopias coletivas que suplantaram o regime. Hoje,
cicatrizadas muitas feridas e outras tantas ainda abertas, convivemos com um regime
de aprimoramento da democracia onde não se permite retirar as conquistas já
estabelecidas, a exemplo o direito à liberdade de expressão.
Que diálogo podemos travar pela historicidade dos
fatos, aproximando esses dois momentos (ditadura e democracia) vividos pelos
mesmos atores sociais, contradição? Chico, Gil e Caetano que lutaram contra a
supressão dos direitos individuais, agora defendem a censura?
Acredito na defesa do direito à verdade dos fatos,
isso sim merece uma discussão responsável. Sabe-se que o homem/mulher
público(a) pode sofrer achincalhe e outras formas de situações de
constrangimentos pautados na invencionice. Assim, contrario-me também à
futrica, à fofoca e ao voyeurismo desenfreado que assola certo tipo de mídia,
altamente rentável, especializada na exposição da intimidade, do espetáculo proporcionado
por fatos muitas vezes criados com o fito de vender a notícia, a
(des)informação.
Nihil humani a me alienum puto (nada do que é
humano me é estranho)!!!
Por: Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e
contribuinte parnaibano.
Edição: Jornal da Parnaíba

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