Conhecidos em todo o país, os santeiros do Piauí representam a religiosidade do povo nordestino. Figuras estilizadas, santos descalços, descamisados, feitos em barro, madeira, com rostos caridosos e cansados. São verdadeiras obras de arte. Só quem tem uma em casa pode saber o real significado dos santos do Piauí.O Estado tem cerca de 150 mestres santeiros. A maioria trabalha com ferramentas simples, tocos de facas amoladas em pedras colhidas nas chapadas. São homens do campo, ex-carpinteiros movidos pelo mais ingênuo e puro sentimento popular.
O Poti Velho é um bairro de Teresina. É lá, na entrada do Parque Ambiental do Encontro dos Rios, que se podem encontrar os meninos contadores da lenda brasileira do Cabeça de Cuia, que conta a história de um jovem pescador chamado Crispim. Um dia chegou em casa e encontrando apenas um caldo de ossos para comer bateu descontroladamente em sua mãe, revoltado. Antes de morrer, a senhora amaldiçoou o filho, rogando-lhe uma praga – ele se transformaria em um monstro medonho. Sentindo um terrível remorso, Crispim se jogou nas águas do rio Poti. Os moradores mais antigos afirmam que nas noites de lua cheia, ele fica zanzando pelas margens do rio, tentando se livrar do encanto.
Para poder descansar em paz, o Cabeça de Cuia – nome pelo qual ficou conhecido devido à sua enorme cabeça deformada - deveria devorar sete moças virgens de nome Maria, mas nunca conseguiu pegar nenhuma. Até porque nenhuma moça anda sozinha por aquelas bandas.
Nas proximidades do Parque, fica o pólo cerâmico de Teresina e muitas mulheres, que hoje estão no artesanato, saíram do trabalho exaustivo de carregar tijolos para o mundo das bijuterias. A renda de muitas delas passou de R$ 100 para R$ 1.700 por mês. As meninas do Poti Velho hoje, mesmo as mais novas, já querem aprender a fabricar as contas e criar seus próprios modelos de “bijus”.
Piauí Sampa 2009
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