segunda-feira, dezembro 10, 2018

Delta do Parnaíba: um paraíso dos Guarás


Para nós piauienses o Delta do Parnaíba é uma daquelas riquezas que temos, que sabemos que é muito legal conhecer, mas como fica aqui na nossa casa, não priorizamos um tempo para descortiná-lo. Eu já tinha tido a oportunidade de conhecer o Delta lá pelo início deste século, numa daquelas viagens que a gente fica mais preocupado do que realmente curte, porque os filhos são pequenos ou porque tem muita gente no barco ou porque o que foge do seu controle por ser improvável às vezes é estressante. Outras vezes visitei áreas pontuais com finalidades de natureza técnica ou científica. Este final de semana resolvi visitar novamente. Só que desta vez com outro olhar: o de divulgador científico.

Ao escolhermos o percurso, a intenção era percorrer o emaranhado de igarapés que formam uma espécie de quebra-cabeças verde gigante. A ideia era conhecer algumas das ilhas mais visitadas do Delta, especialmente na porção maranhense do ambiente. Isso porque pouco se divulga por aqui (e creio que no Maranhão também), o Delta é formado por cinco braços principais do rio Parnaíba no seu encontro com o mar e da sua dimensão, cerca de 30% é território do Piauí e 70% é território do Maranhão. Como das outras vezes me concentrei em áreas do Piauí, especialmente no entorno de Ilha Grande, uma das áreas da minha pesquisa de doutorado, escolhemos (eu e minha companheira de aventuras, minha esposa e jornalista Ana Flavia Soares) trechos de Ilhas da parte maranhense, especialmente a Ilha das Canárias. Dentre as novidades que nos atraíam estava ver a revoada dos Guarás.


O guará (Eudocimus ruber) uma ave do grupo dos pelicanos especializada em se alimentar de peixes e crustáceos como espécies de caranguejo. A espécie mais apreciada pelos guarás é o caranguejo chamado de Corredeira (Goniopsis cruentata), cujo nome expressa muito bem o sufoco que é registrá-lo por uma foto: o danadinho sai correndo de lado e se emburaca na lama do Mangue.

O guará já tinha chamado minha atenção quando visitamos o Parque das Aves em Foz do Iguaçu (PR), pois as placas explicativas do ambiente dele contavam a curiosidade de que sua alimentação era regada a camarão. O animal tem a cor de suas penas avermelhadas e a manutenção desta cor está associada à sua alimentação: na natureza investe no Caranguejo Corredeira e em cativeiro é alimentado com camarões. A ave é muito comum no litoral norte do Brasil, sendo o símbolo das Ilhas de Trinidad e Tobago, na América Central.

De acordo com José, o guia que nos conduziu, os Guarás vêm de muitas áreas do Manguezal do Delta e se concentram em uma pequena ilha situada no lado maranhense. A ilha dos Guarás como é conhecida é um pequeno maciço florestal de mangue sem nada de terra visível, pelo menos na maré alta, com um formato meio triangular, medindo cerca de 100 a 200 metros na sua maior extensão e uns 20 a 50 metros na sua menor extensão.

Por volta das 16h30 partimos de uma praia na Ilha das Canárias e nos posicionamos ao lado da ilhota. A área está sinalizada por uma placa fincada no meio do curso do igarapé colocando-se como um limite de aproximação dos barcos que, neste horário começam a chegar. Na verdade, um pequeno grupo de lanchas com poucas pessoas. A partir deste horário começa o espetáculo. A ilha vai se tornando pintada de pontos vermelhos. A sensação que dá é de uma verdadeira invasão, pois bandos de guarás de tamanhos variados vão se aproximando e se posicionando nos galhos das árvores de mangue da pequena ilha. Grupos com 3, 6, 8 e, cheguei a contar, mais de 70 guarás vão gradativamente se colocando na ilha. Um espetáculo inesquecível. As imagens da galeria e os vídeos abaixo, registrados a partir de um smartphone, daí não terem a qualidade adequada, demonstram um pouco do espetáculo que estas aves realizam aos olhos dos turistas e outros curiosos que, diariamente, partem para ver este fenômeno.

O Delta do Parnaíba tem outras riquezas que não são possíveis relatar em um só post. Assim que puder faça esta aventura. Eu recomendo! Bom domingo para todos...

Por Francisco Soares/Cidade Verde | Edição: Jornal da Parnaíba
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