quinta-feira, julho 19, 2018

Intervenção no Parnahyba é um passo favorável ao futebol piauiense

Não conheço os detalhes que marcam a vida do Parnahyba Sport Club, no que diz respeito a administração interna. É do conhecimento da imprensa de Teresina apenas o desempenho do time de futebol nas competições locais e nacionais.
Estádio Petrônio Portela onde funciona o Centro de Treinamento do Parnahyba Sport Club
Sabemos também que o clube azulino é dono do Estádio Petrônio Portela, presente ganho do Estado do Piauí no governo Alberto Silva nos anos setenta. Sabemos também da sede na praça de Santo Antônio que, segundo informações de colegas de Parnaíba, vive alugada. 

Se tudo está no nome do Parnahyba e com os documentos em dia, é um patrimônio valioso e que, bem administrado, faria do Tubarão do Litoral uma agremiação das mais fortes da região Nordeste.
A sede social do Parnahyba Sport Club é alugada para a Justiça Federal.
O processo de intervenção tem a ver com a mais recente eleição realizada no clube. Leonir Veras (Gringo), ex-jogador e ex-técnico, concorreu à presidência com Batista Filho e perdeu. Derrotado, foi à Justiça alegando irregularidades tais como falta de prestação de contas e possível fraude na eleição. O Juiz da 1ª Vara Cívil, Dr. Georges Cobiniano Sousa de Lima, aceitou as alegações e decretou intervenção no Parnahyba, afastando o atual presidente Batista Filho.

Para interventora foi escolhida a Professora Celina Maria de Sousa Oliveira, da Universidade Federal do Piauí. Em entrevista ao repórter Gláucio Rezende, através da Rádio Pioneira, na noite desta segunda-feira (16), a Professora Celina disse que tem experiência administrativa adquirida ao trabalhar em grandes empresas, e acrescentou:
- "Não existe intervenção sem prestação de contas".
- "Quem faz parte do Parnahyba no sentido financeiro, estrutural e pessoal..."
- "A resposta,a intervenção dará a todos."
Professora Celina Maria de Sousa Oliveira, da Universidade Federal do Piauí é a interventora do Parnahyba Sport Club
Está claro que a Professora Celina vai chamar todos à responsabilidade, para que prestem contas dos seus atos. E é assim mesmo que funciona uma intervenção.

A verdade é que nossos clubes não têm gestores e sim pessoas que se julgam donas e assim procedem. Em Teresina, Flamengo, Piauí e River negociaram patrimônios imensos e tudo de maneira irregular. 
Batista Filho foi afastado após indícios de irregularidades na prestação de contas do clube (Foto: Arthur Ribeiro/GloboEsporte.com)
Não se tem conhecimento do funcionamento de Conselho Fiscal, Conselho  Deliberativo ou mesmo manifestação enérgica de torcedores. Estatutos dos Clubes e Estatuto do Torcedor são mandados às favas. Milhares de torcedores e sócios dão o "calado como resposta".

O ex-dirigente Tales Rodrigues acaba de conceder entrevista, na qual abriu o jogo sobre o que acontece no River Atlético Clube. 
Derrotado nas eleições, Gringo (à direita) e Petrarca Alelaf (esquerda) denunciaram supostas irregularidades do presidente do Parnahyba (Foto: José Wilson/Jornal da Parnaíba)
É lamentável, mas não é novidade. Trata-se de situação grave.  O Esporte Clube Flamengo não existe mais e o Piauí Esporte Clube não dá sinal de vida. Onde estão os documentos que comprovem a existência legal dessas agremiações esportivas piauienses?

Acho muito difícil que a Federação de Futebol do Piauí tenha clubes para realizar o Campeonato de 2019. O mais provável é que tenhamos a repetição do que aconteceu com a segunda divisão. Se alguém recorrer à Justiça, teremos intervenção em todos.

Por Dídimo de Castro/Cidade Verde | Edição: Jornal da Parnaíba
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