terça-feira, julho 25, 2017

Instituto promove ações para preservar berço das tartarugas marinhas

Desde 2010 o Instituto Tartarugas do Delta tem investido na divulgação e educação ambiental
Biólogos voluntários realizam um trabalho de levantamento de dados sobre a conservação de tartarugas (Foto: Divulgação)
Em 2006, um grupo de biólogos voluntários iniciou um trabalho de levantamento de dados sobre a conservação de tartarugas marinhas no litoral piauiense. No ano de 2012, o projeto foi transformado em pessoa jurídica, passando a ser chamado de Instituto Tartarugas do Delta.

No decorrer desse trabalho os biólogos conseguiram ser patrocinados pela Petrobras por quase quatro anos, fortalecendo nossas ações de conservação das tartarugas marinhas e realizando monitoramento de praias. Além disso, conseguiram ampliar o trabalho de conservação para outras espécies marinhas, como o boto cinza e cavalos-marinhos.

“Temos também um trabalho de educação ambiental paralelo ao da pesquisa, conservação e geração de renda, porque entendemos que só o trabalho de pesquisa não gera um resultado positivo e eficaz. Ele também precisa ser realizado junto com a comunidade, para que de fato haja a manutenção do ecossistema e que ele possa ser conservado”, explica.
Hoje as crianças podem ver as tartarugas nascendo no litoral (Foto: Divulgação)
Durante 11 anos de trabalho, Werlanne Santana destaca que tem ouvido relatos dos moradores da própria praia, há residem no local há mais de 30 anos, que nunca tinham presenciado o nascimento e desova das tartarugas. “Antes, elas tinham entendimento que a tartaruga era pescada pelos tios e avós, mas que isso é proibido por lei, porém nunca viam as tartarugas nascendo, e hoje elas podem presenciar isso”, cita.

A bióloga destaca que hoje os moradores entendem que a conservação do ambiente proporciona uma melhor qualidade de vida tanto para os animais quanto para eles e que, se as tartarugas ainda frequentam as praias, é que o local ainda está ecologicamente equilibrado.

O trabalho de conscientização e conversação é feito também em parceria com escolas da região, proprietários de residências, bares e restaurantes, e depois moradores da região urbana de Parnaíba, assim como turistas e gestores ambientais, CMBio, Ibama, policiamento ambiental e Ministério Público. 

“Identificando os principais acessos das tartarugas marinhas nas praias e fechar e evitar a circulação de veículos nas praias, como forma de preservação de fato. Passamos essas informações ao poder público e cabe eles tomarem as medidas. A população também faz denúncias e assim estamos tentando elaborar uma minuta, a curto e médio prazo para que essa circulação seja organizada, que fica ainda mais complicado no período das férias”, enfatiza Werlanne Santana.

Distribuição materiais educativos orienta turistas 
Desde 2010 o Instituto Tartarugas do Delta tem investido na divulgação e educação ambiental de moradores e turistas que frequentam o litoral piauiense. Algumas placas foram colocadas em praias, como forma de orientar os visitantes sobre a importância de preservar o local que é o berço das tartarugas e outras espécies.

“Também fazemos a distribuição de folders e cartazes, colocando em locais públicos, como farmácias e sorveterias, e estabelecimentos comerciais próximos a praia, como bares e restaurantes. Mas a educação é um processo a longo prazo e entendemos que as pessoas já respeitaram mais. Infelizmente essa conscientização era maior quando havia a intervenção do policiamento, porque só o trabalho educativo não tem tanto poder de conscientizar”, lamenta a bióloga Werlanne Santana.

Já com relação à circulação de veículos nas praias, Werlanne Santana acrescenta que o Instituto, órgãos gestores e a população tem se mobilizado para conseguir implantar uma lei que proíba a entrada de carros nas praias, como forma de minimizar os estragos ambientais, desde poluição ao atropelamento de animais.

Por: Isabela Lopes/Portal O Dia | Edição: Jornal da Parnaíba
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