quarta-feira, junho 07, 2017

Por que alguns vereadores de Parnaíba se negam a trabalhar um pouco mais?

Não pegou bem, de forma alguma, para os vereadores de Parnaíba que não quiseram assinar o projeto de emenda à lei orgânica do município, que altera os dias de sessões na Câmara Municipal. Caso conseguisse determinado número de assinaturas, antes de ser apresentada, a proposta entraria logo em pauta para votação e a novidade seria implantada ainda este ano. Como alguns dos presentes à sessão não quiseram assinar, o projeto foi para as comissões técnicas, para ser reapresentado posteriormente.
Plenário Arimatéa Carvalho, Câmara Municipal de Parnaíba
Entenda
De autoria do vereador Carlson Pessoa, o projeto propunha que, ao invés das reuniões ordinárias serem realizadas apenas do dia 1° ao dia 15 de cada mês, elas passariam a acontecer durante todo o mês, às terças, quartas e quintas-feiras, com a segunda e sexta-feira livres para o vereador realizar trabalhos de campo, junto às suas “bases”.

“Eles só visitam estas bases na época da eleição. Na verdade, quem não assinou é porque é preguiçoso e não quer trabalhar”, comentavam populares presentes à sessão em que o autor da matéria (Carlson) corria atrás das citadas assinaturas.

Alguns até defendiam que, vereadores como o Beto Sousa e Ronaldo Prado, por já possuírem 6 mandatos consecutivos, até se entenda não quererem trabalhar mais dias, porque estão cansados, sem gosto pela atividade parlamentar. “Estão lá porque o dinheiro é bom”, comentaram na plateia. Quanto aos vereadores de primeiro e/ou segundo mandato, “parece ser preguiça mesmo”, diziam.
Proposta de autoria do vereador Carlson Pessoa
Salários
O salário de um vereador parnaibano atualmente é de R$ 10.188,72 para cada um dos 17. Acrescente-se ainda uma verba indenizatória que cada vereador tem direito, no valor de até R$ 10.000,00, para comparecerem à câmara municipal, somente do dia 1º até o dia 15 de cada mês, das 19h30min às 21h30min.

Auxiliar de gabinete, chefe de gabinete, assessor operacional, assistente de gabinete, assessor parlamentar, diretor adjunto de gabinete, assessor executivo. Esses são apenas alguns dos cargos que os vereadores de Parnaíba têm direito a nomear durante seus 4 anos de mandato. Os salários para esses servidores do legislativo variam entre R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 2.700,00 (dois mil e setecentos reais), conforme o portal da transparência da Câmara Municipal de Parnaíba.

Desde a legislatura passada o vereador Carlson Pessoa vem tentando modernizar a Casa Legislativa, propondo mudanças ao regimento interno. Tentou acabar com as férias que existiam, do dia 15 de junho ao dia 31 de julho e a do mês de fevereiro. Ou seja, os vereadores de Parnaíba tinham férias do dia 15 de julho a 31 de julho, além de janeiro e fevereiro, folgas bem maior que as férias escolares.

“Essas férias alongadas depõem contra a imagem da Câmara e dos Vereadores”, defendia Pessoa. Não conseguiu derrubar as férias de julho, apenas a do mês de fevereiro. Agora os vereadores têm férias em dois períodos: de 15 de junho a 31 de julho e no mês de janeiro, iniciando o ano legislativo a cada início de fevereiro.

Como se vê, o salário é agradável, simpático e convidativo. Mas o trabalho para alguns edis, parece que não ser tanto assim.

O recurso mensal que a Câmara Municipal de Parnaíba recebeu nos últimos tempos não foi pouco. Já chegou próximo ao percentual de Fundo de participação que recebem municípios como Ilha Grande, Bom Principio e Cajueiro da Praia. Mas parece que nunca deu para modernizarem as coisas por lá. Tanto é que o arquivo daquela casa é um amontoado de documentos jogados no chão ou em prateleiras (foto), sem organização alguma. Para se fazer uma pesquisa de leis mais antigas, é uma tarefa quase impossível.

Por Bernardo Silva | Edição: Jornal da Parnaíba
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