terça-feira, abril 04, 2017

A saúde pública do Piauí pede socorro

A diretoria do Sindicato dos Médicos do Piauí (SIMEPI) fez uma vistoria no Hospital Regional Justino Luz em Picos (PI) no último sábado (01). O caos público em que se encontra e tantas denúncias feitas pela categoria médica, fez com que o sindicato se mobilizasse e acompanhasse de perto a triste realidade sofrida pela população da região.

Durante a vistoria, foi constatado que o Hospital Regional Justino Luz não oferece o mínimo necessário para a população da cidade e região. O mesmo atende Picos e mais outros 42 municípios, não apresentando nenhum leito de UTI, quantidades insuficientes de leitos nas enfermarias e equipe médica sobrecarregada de serviços por conta da grande demanda, onde os mesmos se dividem em urgências de pronto-socorro e atendimentos básicos.


A triste visão de quem chega ao HRJL é de total abandono. Ao entrar no hospital, o paciente se depara com superlotação na recepção, falta de limpeza nos espaços, ambientes totalmente degradados, filas intermináveis de atendimento, pacientes em corredores e distribuídos em macas e cadeiras, próximo a fiações elétricas expostas, podendo causar mais riscos a quem está nos poucos leitos existentes, transfusões sanguíneas sendo realizadas em meio aos corredores sem nenhum cuidado, obras inacabadas, equipes e máquinas defasadas são alguns dos problemas vistos a olho nu de qualquer cidadão.

O hospital passou por uma obra de ampliação e construção de novos leitos e UTIs, onde os mesmos estão construídos e abandonados, servindo de depósito de materiais e equipamentos, já apresentando infiltrações, paredes com rachaduras, vidros quebrados, entre outros. Sem concluir o que já foi feito, o mesmo ainda passa por novas obras iniciadas e inacabadas, causando desconforto e revolta na população que pede socorro diante do que acontece aos olhos de quem chega ao Hospital Regional Justino Luz.
A classe médica da cidade de Picos é unânime em declarar o descaso do poder público e seus gestores, em relação ao que acontece com a real situação na saúde pública do município. Sobrecarga de trabalho em plantões exaustivos, atraso nos salários, denúncias sobre assédio moral são apenas um pouco das denúncias recebidas pelo Sindicato dos Médicos do Piauí.

Para a diretoria do SIMEPI, é inadmissível ver a situação do que a população e os médicos daqui estão passando há tempos e não ver nenhuma mobilização dos gestores responsáveis. “Não querem abrir novos editais de concursos e quando abrem são com vagas insuficientes para todas as especialidades, enfermarias onde homens e mulheres ficam juntos, leitos sendo protegidos pela família dos pacientes para não perderem, não há equipe de cirurgias eletivas e quem acaba operando são os plantonistas, que deixam de atender outros casos de urgência. Até quando vão se fazer de cegos e esperar acontecer o pior?”, conclui Samuel Rêgo, Presidente do SIMEPI.

Mágnum Rógeres
Assessor de Comunicação
DRT 1429/PI
Fotos: Leal Comunicação / Ascom SIMEPI
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