sábado, janeiro 14, 2017

Submarino nazista algoz do Brasil afundou no Piauí há 74 anos

O U-507 foi avistado à altura da foz do Rio Parnaíba. E o avião Catalina, prefixo PBY-10, da Força Aérea dos Estados Unidos entrou em ação, atacando e afundando o U-507 a norte da cidade de Parnaíba.
Registro da Força Aérea dos Estados Unidos do ataque ao U-507 no litoral do Piauí, em 13 de janeiro de 1943
Há exatos 74 anos, afundava em águas do litoral piauiense o submarino alemão U-507, conhecido como o algoz do Brasil. O fato ocorreu no dia 13 de janeiro de 1943, menos de cinco meses após as ações que levaram o U-507 a se tornar tragicamente famoso para o Brasil: em apenas três dias, afundou seis embarcações brasileiras, resultando na perda de cerca de 15 mil toneladas e mais de 600 mortes – acima de 60% do total de mortes de brasileiros causadas pelos “lobos do mar” alemães.


Os navios do Brasil afundados pelo U-507 foram o Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira. E um caso chama atenção para a brutalidade dos ataques alemães. No dia 17 de agosto, por volta de 11h da manhã, o Itagiba foi atacado na costa baiana. Botes salva-vidas foram lançados ao mar na tentativa de recolher e salvar pssoas. Um barco menor, o Arará, percebeu o desastre e partiu em socorro às vítimas. Mas o U-507 ressurgiu impiedoso, atacando o Arará e os náufragos do Itagiba.

Os ataques e as mais de 600 mortes geraram uma revolta e o Brasil, que em janeiro daquele ano havia cortado relações diplomáticas com Alemanha e Itália, deu um passo a mais e declarou guerra ao Eixo no dia 31 de agosto.

O U-507 seguiria sua saga de destruição. Mas não por muito tempo: dia 13 de janeiro de 1943 terminaria sua trajetória de mortes.

O afundamento do submarino se deu pela ação de um avião Catalina, prefixo PBY-10, da Força Aérea dos Estados Unidos. O U-507 estava agindo no litoral norte do Brasil, onde no dia 2 de janeiro havia afundado o navio inglês Oakbank. Levava junto alguns prisioneiros ingleses. Por dez dias, o Catalina participou do trabalho de patrulha entre Natal e Belém. No dia 13 de janeiro, foi avisado da presença de um submarino na região. O U-507 foi avistado, conforme relato do site especializado Naufrágios do Brasil, à altura da foz do Rio Parnaíba. E o avião entrou em ação, atacando e afundando o U-507 a norte da cidade de Parnaíba
Na página 38 do livro de João Barone, a indicação do afundamento do U-507 no Piauí
Os próprios integrantes do Catalina fotografaram o momento da ação. O avião lançou quatro cargas de profundidade, que podiam alcançar submarinos mesmo abaixo da linha d’água. Após o bombardeio, perdeu-se o contato com o algoz do Brasil, que deixou de emitir qualquer sinal. Havia a convicção do afundamento do U-507, o submarino que levou o país à guerra. Mas não havia certeza.

A destruição do U-507 só foi confirmada depois do fim da guerra. O afundamento se deu a cerca de 100 milhas marítimas (uns 180 km) de Parnaíba, segundo dados de diversos estudos. Um deles é o livro 1942: o Brasil e sua guerra quase desconhecida, de João Barone. O Barone, no caso, é o baterista da banda Paralamas do Sucesso. Ele é um apaixonado pelo tema da Segunda Guerra, com outros trabalhos lançados, inclusive um documentário sobre a participação do Brasil no conflito. Barone é filho de um ex-pracinha da FEB – a Força Expedicionária Brasileira. Diversos outros autores falam da ação do submarino alemão. Um dos mais recentes é o livro U-507: o submarino que afundou o Brasil na Guerra Mundial, do jornalista gaúcho Marcelo Monteiro.

Por Fenelon Rocha | Edição: José Wilson / Jornal da Parnaíba
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